Voto desde 1998 e, em todas as eleições, sempre tive que escolher entre duas opções na hora de determinar o meu voto:
- Eu votarei em alguém que representa o que considero ser o melhor para o país?
- Eu não votarei em alguém que representa o oposto do que considero ser o melhor para o país?
Porém, sofremos o choque da realidade e, comumente, recorremos à segunda opção. Acabamos votando no "menos pior" e tentamos escolher aquele que oferece menos rejeição diante das nossas ideias. Este é o presente: a nossa escolha não é por aquele que é o melhor, mas para realizar uma contenção de danos, evitar uma catástrofe e não ver o país caído na miséria, no declínio moral e na calamidade.
Em um ambiente onde não há um candidato que cumpra plenamente as condições para ser eleito, preciso de uma escala que me ajude a exercer meu direito com clareza — um farol que aponte, no meio da tormenta, qual poderia ser o melhor porto dentro das opções disponíveis.
1. A Escala Moral
A primeira medida, ao meu ver, é a escala moral. Como as opções são moralmente caídas e pecadoras, infelizmente não posso avaliá-las como parâmetros de moralidade. Mas eu posso observar o que elas defendem para a sociedade. Eu, como cristão, vou defender uma moral e uma ética fundamentadas no Evangelho, em que as pessoas devem viver de acordo com os padrões bíblicos, incluindo escolhas sobre práticas de convívio, vida conjugal, a origem da vida, os direitos dos despossuídos (a começar pelo embrião se formando no ventre materno) e o relacionamento com o próximo. Isso não é defender uma teocracia, como alguns pretendem ridicularizar; é ser coerente com o que creio ser a verdade.
Por isso, dentre as opções a serem escolhidas, o candidato que apresentar uma proposta moral mais alinhada com o cristianismo será considerado por mim como alternativa.
Por que coloco a moralidade como primeira opção? Porque uma sociedade que não consegue ter padrões morais elevados corre o risco de ser consumida por si mesma. A decadência de uma sociedade não inicia no âmbito econômico; sua destruição começa nas bases éticas e morais. Quando elas estão corroídas, toda a estrutura social desaba.
Vemos isso nos movimentos revolucionários que tentam desestruturar as famílias, relativizar o controle de natalidade e equiparar a igualdade de direitos entre humanos e animais: no momento em que essas pautas dominam, tudo o que conhecemos como comportamento cívico passa a um segundo plano. A tolerância pregada no começo se transforma em uma ditadura do pensamento revolucionário, levando cativos os pensamentos discordantes, sob o pretexto de que nada pode deter o progresso da humanidade (que, na verdade, não passa de um retrocesso).
2. A Dignidade Humana
A segunda medida é a dignidade humana. Para entender este ponto, devemos responder à pergunta: o que é um ser humano? Se a nossa resposta não for objetiva, fundamentada na criação do ser humano feito à imagem de Deus e com as diferenças biológicas que nos distinguem pelo sexo, temos um problema de princípios.
Da mesma forma, a definição da origem da vida também se torna necessária: quando se origina a vida no ser humano? Se a resposta não for "desde o momento da concepção", há uma discrepância de princípios.
A dignidade do ser humano é definida pela maneira como o concebemos e consideramos sua existência. Se o nosso conceito de homem varia de acordo com o pensamento determinado por filosofias e ideologias sem fundamento bíblico e biológico, sendo relativista em sua essência, como posso garantir os devidos direitos do homem? Como saber se realmente haverá isonomia? Como posso proteger a criança dos males morais da sociedade?
Se um candidato não consegue definir o ser humano de acordo com a Bíblia e a biologia, ele não terá o meu voto.
3. O Aspecto Social
A terceira medida é o aspecto social. O clima de polarização em que estamos inseridos é destrutivo para a sociedade. A maneira como lidamos com o contraditório está ficando extrema e violenta. Muitos nem sequer se atrevem a dar a sua opinião na rua ou na internet por medo de serem cancelados ou agredidos verbal, emocional ou fisicamente. Discordar é normal; anormal é levar o assunto para a violência e a agressão.
Uma sociedade dividida e fragmentada é o ambiente propício para a chegada do extremismo. Ideias radicais penetram pelas fendas sociais como alternativas, como uma espécie de "terceira via" ou de neutralidade, mas o fim delas é invadir as ruas, ganhar adeptos e depois se impor pelo medo diante dos outros.
Eu me importo com aquele que não propicia ou alimenta um clima de intolerância contra o contraditório; que permite um diálogo construtivo e apologético, onde a mudança de pensamento, de ideias e de crença seja aceita como algo comum e não seja vista como uma imposição. Se alguém governar de maneira construtiva e não fomentar a divisão, considerarei o meu voto.
4. A Educação
A quarta medida está na educação. Se a educação não é priorizada na família, e a proposta é ver a escola como o lugar onde a criança é influenciada ideologicamente em vez de ser formada, tenho dificuldade em aceitar essa proposta. A família deve ser fortalecida para dar aos filhos uma educação de qualidade em casa, onde os pais devem ser os responsáveis por ensinar o que é certo e errado, a responsabilidade, a fé, os valores e as crenças. A escola deve ser um lugar de formação de conhecimento para a vida profissional. A formação para a vida, a integralidade do ser, deve partir do lar.
Um candidato que coloca a escola e a universidade como laboratórios ideológicos jamais terá o meu voto.
5. O Aspecto Econômico
A quinta medida está no aspecto econômico: oportunidades para que todos tenham um emprego digno ou possam empreender em um marco jurídico desburocratizado; o fim da marginalização e do abandono dos que vivem em condições precárias, com acesso à saúde e à educação de qualidade, bem como ao saneamento básico em qualquer lugar onde estiver um cidadão nesta nação; acessibilidade para todos e crescimento sustentável da economia, com harmonia entre desenvolvimento e ecologia.
Se o crescimento econômico depender, em primeiro lugar, do investimento do Estado, sem gerar condições para o investimento privado na criatividade, na invenção, na criação de tecnologia e no uso responsável dos recursos naturais para entregar produtos beneficiados; se o candidato não deseja a real geração de renda para todos os habitantes desta nação, ele não terá o meu voto.
6. O Papel do Estado no Cotidiano
A última medida está no papel do Estado no cotidiano. Um candidato que centralize a vida dos cidadãos nas decisões do Estado, sendo o governo o grande determinador da vida, das decisões e do que se deve ou não postar nas redes, fiscalizando a população como o "Grande Irmão" de 1984, não terá o meu voto.
O Estado não existe para me dizer o que é certo ou errado, decidir como vou investir, quantos cartões de crédito posso ter, determinar o salário mínimo sem consultar todas as partes envolvidas ou manter os impostos elevados sem devolver isso em ações de desenvolvimento. O Estado deve, de acordo com Romanos 13, garantir a liberdade e administrar a justiça.
Se alguém quer um Estado inchado e todo-poderoso, ele nunca terá o meu voto.
Conclusão
Nesta eleição, exercerei meu direito ao voto aplicando a opção 2. Nenhum dos candidatos representa, com firmeza, os valores em que acredito. Ambos terão que fazer alianças e sacrificar propostas em prol da governabilidade nos próximos quatro anos. Porém, eu não votarei naquele que vem construindo um Estado todo-poderoso, controlador, manipulador e gestor de toda a riqueza do país, explorando a todos através de uma forte carga tributária e que (em primeiro lugar na minha lista) vem permitindo o declínio moral e ético da nossa nação. Por isso, não votarei no Lula.
O que aconteceria caso essa opção vencesse? Seguiremos do jeito que estamos. E se a maioria assim considerar que deve ser, basta me preparar para os anos vindouros com fé e ousadia para pregar a Cristo.
O que aconteceria caso o vencedor fosse o candidato em quem vou votar? Mesmo se ele fosse eleito por mim através da aplicação da opção 1, eu não seria um seguidor fiel. Aliás, tenho como princípio que o papel profético da Igreja deve ser exercido independentemente de quem estiver no poder. Portanto, se o candidato que eu apoio vencer, serei uma oposição profética a ele, como sempre tenho sido, tanto na Venezuela quanto no Brasil.
Que Deus abençoe o Brasil, que tenhamos uma eleição tranquila e que o resultado seja respeitado, tanto pelos vencedores quanto pelos vencidos. Afinal, todos habitamos na mesma terra e somos chamados ao entendimento e à convivência pacífica. Que a misericórdia do Senhor repouse sobre nós e nos abençoe com graça, compaixão e amor.
Amém.
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